o fim de outubro
Postado por C. às Sábado, Novembro 07, 2009
sábado, 7 de novembro de 2009
engenharia sentimental
Postado por C. às Terça-feira, Outubro 27, 2009
terça-feira, 27 de outubro de 2009
essa noite, antes de dormir, destruirei o nosso amor.
vai dar tempo, sim. deixei quase tudo pronto: plantas, planos e a quantidade exata de explosivos estrategicamente colocados em cada alicerce, em cada barra que aguentamos, e em cada um dos nossos sonhos. (esperando imóveis o momento certo para implodir.)
ela diria que eu estou novamente boicotando uma relação que estava dando certo, mas não fui vê-la esta semana mesmo... assim posso fingir que não sei disso e que, poxa, não teve ninguém pra me avisar. a verdade é que boicotei minha ida à terapia também.
eu sei, moça, eu sei que já começo planejando as coisas pela escada de incêndio. e sei que construo um sistema independente, que não falhe diante de estímulos elétricos, carnais ou sentimentais, pra facilitar a destruição previamente programada. é que, assim, não me preocupo muito com a sujeira do depois
fica desse jeito. tudo, inclusive eu, pronto pra quando o gozo virar motivo de nojo. e eu não aguentar mais olhar pra cara do sujeito. e tiver enxaqueca só de ouvir a voz dele, mesmo no telefone. pra quando eu tiver vontade de partir-lhe a cara só porque ele é efusivo demais e, putaqueopariu, eu não a-g-u-e-n-t-o gente efusiva. me soa falso(segurava a tua cabeça assim), falso(pelos cabelos) e digno de pena(batia contra aquela parede ali), desprezível(uma, duas...) e lamentável(vinte vezes, até sangrar e você aprender a falar sem gritar e a parar de contar vantagem no meu pé do ouvido).
mas sangue espalha e mancha. é ter, em minhas próprias mãos, testemunha de auto-acusação quando preciso é de um álibi, plantado desde o primeiro dia, estrategicamente, na fundação daquilo que talvez nunca sejamos.
02/06/09
Marcadores: cotidiano quase poético, poemas tardios
hoje eu vesti uma calcinha ao contrário
Postado por C. às Terça-feira, Outubro 27, 2009
hoje eu vesti uma calcinha ao contrário. e só vim reparar muito depois. foi o estopim. percebi que precisava, loucamente, escrever. não que isso(vestir uma calcinha ao contrário) signifique muito sobre a minha pessoa ou seja lá muito grave, mas a gente pára(com acento, porque não gostei das novas normas) e se pergunta: onde é que tava minha cabeça?
minha cabeça não estava em ninguém, em nenhum ponto distante de nenhuma galáxia perdida. minha cabeça estava onde está agora: aqui. presente. demasiado presente. em tudo e em todas as coisas e em todas as pessoas que me cercam.
mas é que as coisas tem sido tantas que, de vez em quando, tudo trava. como se cabeça fosse coisa que rodasse com windows.
são as coisas do dia a dia, se atravessando e se instalando de uma forma que eu chego a esquecer quando foi a última vez que lavei meu cabelo. esqueço que meu passe-fácil está acabando e que - porra! - eu não tenho dinheiro pra pagar a passagem inteira. esqueço de fazer as unhas(e as pernas). esqueço que marquei reuniões. esqueço que desmarquei encontros. e não lembro mais há quantos meses não vou ao dentista apertar meu aparelho.
e um "eu te amo", que é coisa que raramente esqueço?
há quanto tempo eu não digo, há quanto tempo eu não ligo pra dizer? há quanto tempo não escrevo um poema*? não me sobra um real de tempo.
a loucura, a correria, o ritmo doente da cidade. a aventura quase suicida que é trabalhar com criação.
há mesmo uma hora em que tudo fica tão enorme e confuso que você se pergunta: meu deus, eu já jantei hoje? eu fui fazer xixi? eu vi eu pensei eu sonhei ou eu fiz? e olha as horas três vezes seguidas no relógio, antes de descobrir que horas realmente são.
e entra no quarto sem saber o que foi buscar. e sobe no ônibus errado.e cochila na viagem de volta pra casa.
e perde a conta: dos foras, dos títulos recusados, dos sims e dos nãos(tenha muita auto-estima e saiba fingir que suprime sua vaidade. repita comigo: auto-estima, vaidade, auto-estima...),
e perdemos a conta dos emails recebidos e enviados, das vezes em que chegamos perto, pertinho de explodir. e respiramos fundo. e damos um sorriso. porque ninguém tem nada a ver com o cérebro cozido que vai implodir dentro das nossas cabeças e porque amanhã, fatalmente, será outro dia.
*não esqueci que te prometi um.
beijo.
Postado por C. às Segunda-feira, Outubro 26, 2009
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
ai, merda. post pela metade não, né?